16 de mai. de 2011

[Pregões] nos sepultamentos.


Ontem estive em um sepultamento. “Ato de solidariedade cristã”, respeito à família vitimada – considerações, etc. Mas foi um dia cheio. A saleta minúscula, deveria hospedar apenas um sepultamento, estava com dois. Na saleta ao lado, o mesmo acontecia. Aproveitei e vi os quatro mortos – defuntos... Reconheci também um deles, no entanto não me ressoou quaisquer outros sentimentos, além da imensidade de num dia de chuva de outono-inverno-verão- Bahia, ver quatro mortos: a morte estava viva!Foi chegado o momento da última despedida visual [de corpo presente]. Momento do pranto, da insatisfação: da fé racional, fé filosófica, da razão, da emoção, da RELIGIÃO. Do refletir “Despertar”, do “Iluminar”. E então começou o pregatório:
De fato, quem falava mais alto, pregava [em mim] uma peça; uma mais difícil que a outra de/para se entender. Lembrei-me de Marilena Chauí: “Utopia e distopia”! Elas gritavam! E eu tentava “respirar para nada” e me anular. Não dava: Se fosse um filme e eu o diretor, o intitularia [rotular é também preciso] de “A última tentativa de conversão pelo proselitismo dos [ditos] cristãos dos santos [de fato] dos últimos dias”. Nem tanto prosopopeíco, nem muito épico, quem sabe empírico- denotativo: palavras para encher texto.
Fiquei então, no meio daquelas bíblias e sermões e reflexões e mortes. Poucas lágrimas por sinal. Ao que me parece, nesse momento o morto outra vez se vai [e penso que para bem longe] e somente retorna ao fechar dos caixões, para depois sair em nova procissão, para seu fim, começo, ou, o que quer que seja: “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia”- já disse aquele cara lá.
São penosos os links possíveis entre a trinca salvação-religião-morte; que contempla outra: Vida eterna – [céu inferno]- apelação.  É um pesar - pesado para se refletir!  É melhor nem discorrer.
Num olhar distanciado, se é que é possível, daquele pregão não consegui comprar camarão, nem respeito; cristanidade – vi marketing ... Levei para casa gato por lebre, que agora me consome nesta escrita; confusão sobre a hegemonia e o cartesianismo do convencimento da salvação: Que salvação? Como salvação? O que salvação!
O que penso agora é que quando morrer o que vão fazer e o que vão falar sobre mim. [será que] Serei utilizado para esse escracho do ser-fazer-querer ser-produzir (conversão) cristão? É, mercado que me deixa tonto. A carne morta é carne de justificação: convenção, opressão, aceitação, conveniência, providência, objeto, maculação.  E pode-se erigir outras tantas coisas.
Aquilo tudo era uma dose quase homicida, não fosse minha perma- insis-resis [tência] suicida de continuar ali... Pela escolha que fiz vou negligenciar muitas coisas... Estou suspenso! Mas nada contra tudo aquilo [ou muita coisa contra]. Gostei muito, como digo sempre: Fantástico!!! No entanto, compreender, observar e registrar as ações naquele ambiente me trouxe a este ápice!
Talvez um dia [eu] volte! Vivo ou quiçá: Morto [via outro proselitismo].
 [resumido] 

Nenhum comentário:

Postar um comentário